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MST
Movimento
dos Trabalhoadores sem Terra - Pará
Um
breve histórico
1989
O MST começou seu processo de territorialização no
estado do Pará. Espacializando a luta pela terra, os primeiros
trabalhos foram feitos por sem-terra vindos dos estados de Goiás,
Maranhão, Ceará e Pernambuco. É importante lembrar
que desde o Primeiro Encontro Nacional do MST, em Cascavel, em janeiro
de 1984, e do seu 1º Congresso, em Curitiba, janeiro de 1985, grupos
de trabalhadores rurais paraenses participaram desses eventos, na perspectiva
de criarem o Movimento no Pará e intensificarem a resistência
camponesa. Desse modo, alguns Sindicatos dos Trabalhadores Rurais vinculados
à CUT e os trabalhos da CPT foram as principais referências
que os sem-terra tiveram no início da articulação
de apoio à construção do MST/PA.
1990
10 de janeiro: o MST fez sua primeira ocupação no
Pará, que ocorreu no município de Conceição
do Araguaia, no Sudeste Paraense, quando em torno de cem famílias
ocuparam uma área da fazenda Ingá. Outra parte desse latifúndio
de quinze mil hectares estava ocupada por posseiros, que vinham enfrentando
jagunços e resistindo na terra. Iniciavam, assim, as ações
do MST no Pará: sem-terra lutando junto com posseiros em um dos
estados de maior violência contra os trabalhadores rurais.
Julho:
150 famílias organizadas no Movimento ocuparam a fazenda Canarana,
também no município de Conceição do Araguaia.
No
final do ano o MST inicia o trabalho de base na microrregião de
Maraba.
1991
Com o apoio da CPT intensificaram os trabalhos de base na microrregião
de Marabá. Depois de sete meses de reuniões nas comunidades,
mobilizaram em torno de três mil famílias, e decidiram organizar
uma ocupação massiva. Nesse tempo, as lideranças
foram seguidas pela Polícia Federal e o telefone da secretaria
do MST foi grampeado. Em meados de junho de 1991, a polícia Civil,
Militar e Federal fechou todas as saídas da cidade de Marabá
para impedir a ação dos sem-terra. No dia 17, cercaram a
quadra onde estava localizada a secretaria e prenderam 7 lideranças,
acusando-as de serem guerrilheiros e de promoverem invasões de
terras em série na região. A
prisão das lideranças do MST acontecia no cenário
do poder, da violência e da impunidade dos latifundiários,
das milícias armadas e das polícias.
1992
Os trabalhos de base foram retomados para a reorganização
dos grupos de famílias. Em maio de 1992, os sem-terra participaram
de uma jornada de lutas com os sindicatos de trabalhadores rurais filiados
a CUT, entregando reivindicações ao INCRA e ao governo estadual
para a desapropriação de áreas ocupadas por posseiros
e sem-terra.
16
de julho: um ano e um mês depois das prisões, quinhentas
e quarenta e oito famílias sem-terra ocuparam a fazenda Rio Branco,
no município de Parauapebas, latifúndio de vinte e dois
mil hectares. A desocupação da fazenda Rio Branco foi imediata.
A ação de despejo aconteceu no decorrer da ocupação,
enquanto algumas famílias ainda chegavam para ocupar, outras já
estavam sendo despejadas. A Polícia agiu rapidamente e com o apoio
dos jagunços da fazenda aprenderam as ferramentas dos trabalhadores.
Nas lições das experiências de luta e resistência,
os sem-terra foram aprendendo, nas ocupações, a preverem
possíveis desdobramentos da reação dos latifundiários
e do Estado. De modo, que é preciso ter sempre uma segunda opção
para se deslocar na ocorrência do despejo. Nesse caso, montaram
acampamento de fronte à prefeitura e negociaram a cessão
de transporte, de maneira que pudessem transferir o acampamento para a
sede do INCRA em Marabá. Esse acampamento durou cinco meses, tempo
em que os sem-terra fizeram uma série de manifestações
e negociações, viajando a Belém e a Brasília,
na tentativa de mudar a conjuntura. O MST reivindicava a vistoria da Rio
Branco que fora acordada nas negociações com o INCRA, mas
que não se efetivava. Em dezembro, as famílias reocuparam
a fazenda e o INCRA acabou comprando 12 mil hectares do latifúndio,
dessa luta se efetivou o assentamento Rio Branco com 250 famílias.
1993
Como a violência contra os camponeses se intensificava, o MST priorizou
esse ano para dar organicidade ao movimento. Estruturou a Secretaria Estadual,
criou Setores orgânicos do Movimento e uma Direção
Estadual. Foi um ano de intensa formação junto à
base social e estreitamento de relações junto à sociedade.
1994
Encontro Estadual: o MST define maximizar as ocupações de
terra no Estado. Investe também nos cursos de formação
com períodos mais prolongados para preparação dos
militantes.
Julho:
com a definição do assentamento Rio Branco, o MST consegue
organiza vários grupos de famílias e no dia 26 de julho
de 1994, duas mil e quinhentas famílias ocuparam uma área
denominada Cinturão Verde, parte de uma concessão 411.946
hectares - autorizada pelo Senado Federal em 1986 para a Companhia Vale
do Rio Doce. Três
dias depois da ocupação, as famílias foram despejadas
e, novamente, transferiram o acampamento para a prefeitura de Parauapebas,
que liberou ônibus e caminhões para transportar as famílias
até a sede do INCRA em Marabá. Todavia, dessa vez, a Polícia
cercou a sede do Instituto impedindo a ocupação. Os trabalhadores
negociaram com o superintendente, o estabelecimento do acampamento das
famílias nas dependências do INCRA. Os sem-terra ficaram
acampados em Marabá durante cinco meses, negociando com os governos
estadual e federal, sem que apresentassem soluções para
a situação.
Durante
o tempo de acampamento, ocorreram prisões e as famílias
fizeram várias manifestações na cidade de Marabá
como forma de pressionar o Estado para e efetivação de projeto
de assentamento. Foram a Belém para uma audiência como governador
Almir Gabriel, que assumiu o compromisso de assentar as famílias
e não tratar a questão como caso de polícia. Sem
resultados concretos, as famílias retornaram para Parauapebas e
fizeram uma manifestação defronte a entrada da Companhia
Vale do Rio Doce. Negociaram uma área da prefeitura para o acampamento
das famílias.
1995
As famílias permaneceram no acampamento até maio de maio
de 1995, quando ocuparam mais uma parte da fazenda Rio Branco.
15
de maio: a segunda ocupação da Rio Branco aconteceu
no dia 15 de maio. Durante cinco meses, as famílias resistiram
na área sob a ameaça constante de pistoleiros. Decidiram
organizar uma marcha de setecentos quilômetros até Belém
para cobrar do governador a promessa de assentar as famílias. No
dia 18 de outubro iniciaram a marcha e conseguiram uma reunião
com o INCRA e com o governo estadual, que propuseram vistoriar a Rio Branco,
desde que a marcha fosse cancelada. Os sem-terra não aceitaram
a proposta, reivindicavam o assentamento imediato. A vistoria, tão
somente, não era garantia de solução. Os laudos técnicos
das vistorias eram muito mais uma armadilha na negociação
política, já que na maior parte das vezes os resultados
eram favoráveis aos latifundiários, como foi o caso da Rio
Branco.
Dessa
forma, a proposta do INCRA e do governo estadual não apresentava
solução para resolver os problemas das famílias em
marcha. Assim, continuaram até Eldorado dos Carajás, e foram
convidados para uma negociação em Brasília, quando
foram informados que o INCRA compraria mais três mil trezentos e
oitenta e três hectares da Rio Branco para a implantação
do assentamento. Depois de quinze meses de luta e resistência, aquelas
famílias conquistavam o direito à terra, que denominaram
de assentamento Palmares, em homenagem a Zumbi e à resistência.
Dando
continuidade ao processo de pressão para desapropriações
de latifúndios, tendo em vista a vinda do Sr. Francisco Graziano,
presidente do INCRA/Nacional à região no dia 5 de novembro
para a entrega dos lotes da Palmares. Para recepcioná-lo, além
dos assentados, estavam mil e quinhentas famílias que reivindicavam
a desapropriação da Macaxeira e montaram acampamento em
Curionópolis.
A
propósito, em agosto deste ano a Secretaria de Estado de Segurança
Pública do Pará (SEGUP/PA), como resposta às solicitações
dos grupos oligárquicos e latifundiários da região
que temiam o crescimento do MST e de outros movimentos sociais no Estado
e no intuito de reprimir a luta dos trabalhadores, cria na Divisão
de Investigações e Operações Especiais (DIOE),
a Delegacia de Conflitos Fundiários, com atuação
em todo o Estado. Passa-se a ter nos arquivos de todas as polícias
informações mais minunciosas acerca da organização
interna dos trabalhadores, especialmente dos do campo, no sentido de se
"prever e evitar inclusive uma nova Guerilha do Araguaia, especificamente
das principais lideranças, tidas como radicais, guerrilheiras,
comunistas..."
1996
Durante cinco meses, de 5 de novembro de 1995 até 8 de março
de 1996, em torno de mil e quatrocentas famílias montaram acampamento
no Centro de Orientação e Formação Agropastoril
de Curionópolis, aguardando o resultado da vistoria da Macaxeira.
No laudo de avaliação "técnica", o latifúndio
foi classificado como produtivo. Os sem-terra ocuparam a Macaxeira e organizaram
a resistência contra os jagunços e a Polícia. Iniciaram
o processo de negociação com o INCRA que propôs assentá-los
em um projeto de assentamento de cento e cinqüenta mil hectares,
na região de Tucuruí. Os sem-terra não concordaram.
Muitas famílias haviam enfrentado problemas com malária
naquela região.
Não
aceitaram o desterro, o objetivo das famílias era o latifúndio
Macaxeira. Há tempos, a Macaxeira havia sido dividida em treze
fazendas (Essa é uma estratégia muito utilizada pelos latifundiários
para evitarem a desapropriação), de modo que os sem-terra
iniciaram as pressões para tentarem mudar a conjuntura. No dia
10 de abril de 1996, em torno de duas mil pessoas iniciaram nova marcha
para Belém.
16
de abril: quando chegaram na "curva do S", em Eldorado dos
Carajás, os sem-terra decidiram bloquear a rodovia PA 150, como
forma de pressionar o governo para a negociação e exigir
comida. Com o bloqueio, o governador enviou um comandante da Polícia
Militar de Parauapebas para negociar. Ficou acordado que se a rodovia
fosse liberada, o governo enviaria alimentos e 50 ônibus para que
os sem-terra fossem até Marabá, onde haveria negociações
com o superintendente do INCRA. Às onze horas do dia 17 de abril,
foram informados pelo comandante que o acordo não seria cumprido.
Os sem-terra decidem bloquear a rodovia novamente. Às 16 horas
chegaram dois batalhões da Polícia Militar: um vindo de
Marabá e o outro de Parauapebas. E não vieram para negociar.
Chegaram atirando e jogando bombas de gás lacrimogêneo. Os
sem-terra tentaram reagir com pedras e paus. Aconteceu o massacre. Segundo
os dados oficiais: foram dezenove sem-terra mortos e 69 feridos. A repercussão
desse fato foi internacional. Era o segundo massacre no governo Fernando
Henrique Cardoso. O primeiro foi em Corumbiara, Rondônia, em 9 de
agosto de 1995.
02
de maio: doze membros da Coordenação Nacional do MST
reuniram-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com o ministro
da reforma Agrária, Raul Jungmann. Por causa do massacre, o presidente
havia criado o Ministério Extraordinário de Política
Fundiária, em 30 de abril de 1996, e demitiu o ministro da Agricultura
José Eduardo Andrade Vieira, que tinha sob seu comando o Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária. O MST
apresentou ao presidente alguns pontos fundamentais para a realização
da reforma agrária, responsabilizou o governador Almir Gabriel
e o ministro da Justiça pelo Massacre de Eldorado dos Carajás,
exigiu a prisão preventiva dos policiais que participaram do episódio
e reivindicava a desapropriação imediata do latifúndio
Macaxeiras.
Os
sem-terra enterraram seus mortos e reocuparam a Macaxeira. A violência
do massacre foi tão forte que metade das famílias se dispersaram.
1997
Com nova vistoria, algumas áreas da Macaxeira foram classificadas
como improdutivas e parte do latifúndio foi desapropriada, onde
foram assentadas seiscentas e noventa famílias em dezoito mil e
oitenta e nove hectares. O assentamento foi batizado de 17 de abril. O
arquiteto Oscar Niemeyer projetou um monumento que chamou de Eldorado
Memória. No dia 07 de setembro, o monumento foi inaugurado em Eldorado
dos Carajás. Duas semanas depois, com constantes ameaças
de destruição pelos latifundiários, o monumento foi
derrubado a golpes de picaretas. No assentamento provisório as
famílias começaram a plantar suas primeiras roças
e a constituir os setores de atividades do Movimento. Inauguram suas escolas
e os cursos de alfabetização de jovens e adultos. Nesse
tempo, o MST inaugurou a Cooperativa Mista dos Assentamentos de Reforma
Agrária do Sul e Sudeste do Pará. Participando desse processo
de consolidação do MST - PA, as famílias do assentamento
17 de Abril reconstruíam suas vidas. Continuaram os trabalhos de
base para organizar novos grupos de famílias. Afinal, existem muitos
sem-terra e muito latifúndio para ocupar.
1º
de março: ocorre a ocupação da fazenda Pastoriza,
no município de São João do Araguaia, próximo
a cidade de Marabá. Esta área hoje, já desapropriada
e criada o Projeto de Assentamento "1º de Março",
também palco de crimes cometidos contra trabalhadores pelos antigos
proprietários, possui 350 famílias.
10
a 17 de abril: em vários países aconteceram exposições
de fotos de Sebastião Salgado, intitulada TERRA, com texto de José
Saramago e um disco compacto com músicas compostas e interpretadas
por Chico Buarque. A primeira exposição aconteceu em Bruxelas,
na Bélgica, quando o MST recebeu o Prêmio Internacional Rei
Balduíno para o Desenvolvimento. As exposições foram
espaços, onde o MST divulgou a luta pela terra e pela reforma agrária,
denunciou a violência e a impunidade, realizando várias manifestações
e instituindo o dia 17 de abril como o Dia Internacional de Luta Camponesa.
Novembro:
descontentes com a política fundiária do governo federal,
através de Superintendência Regional em Marabá, mais
de 5.000 famílias, destas 1.200 vindo de áreas acompanhadas
pelo MST, e as demais da FETAGRI (Federação dos Trabalhadores
da Agricultura do Estado do Pará) e de Sindicatos Rurais do Sul
e Sudeste do Pará, ocupam o INCRA/Marabá, exigindo desapropriações,
liberação de créditos, abertura de estradas e muitas
outras promessas já feitas pelo INCRA, e até então
não tinham sido cumpridas. Sem a presença de nenhum representante
de Brasília e nenhum prazo para negociações, realiza-se
em Marabá uma série de atos públicos. Só depois
então consegue-se a realização audiências,
culminando com a ida à Brasília de vários representantes
dos trabalhadores. Dentre outras conquistas imediatas, os sem terras conseguem
que o superintendente local fosse transferido.
Dezembro:
no município de Tucuruí, depois de acampados na área
de uma Escola Agrícola com 1.400 famílias, o MST ocupa a
fazenda Beija-Flor, até então utilizada de forma irregular
por uma família históricamente truculenta na região.
Essa ocupação se tornou Projeto de assentamento em 1999,
denominado de Assentamento Chico Mendes.
1998
14 de março: em torno de quinhentas famílias ocuparam
a fazenda Goiás II, em Parauapebas. Tentaram resistir, mas ante
as ameaças constantes dos pistoleiros da fazenda resolveram desocupar
a fazenda.
26
de março: transferiram
o acampamento para uma área próxima ao assentamento Carajás
e, durante a mudança, foram emboscados pelos pistoleiros e policiais
miltares. No ataque, duas lideranças foram mortas: Onalício
Araújo Barros, conhecido como Fusquinha, e Valentim Serra, o Doutor.
Logo após o sepultamento dos dois companheiros, as famílias
reocupam a fazenda, onde permanecem até hoje, com 69 famílias
no assentamento Onalício Barros.
Após
esse episódio, o Exército se instalou na região:
cercou o assentamento Palmares, a entrada do assentamento 17 de Abril
e da fazenda Goiás II, passou a revistar todos que entravam nessas
áreas, realizou trabalho de identificação das principais
lideranças do MST na região, realizou trabalhos de saúde
para o povo no intuito de cooptar para obter informações,
e só se retirou da região logo após as eleições,
em outubro/98. Durante esse processo o MST apresentou as fazendas já
denunciadas ao poder público com sendo centros de pistolagens e
a de guardas de armas de grosso calibre que sequer foram visitadas pelas
tropas do exército.
Porém,
a presença do Exército naquela região só levou
o Movimento a se territorializar para outras regiões do Estado.
É ainda neste ano que, depois de amplo trabalho de cadastros de
novas famílias sem terra efetivados nos municípios de Castanhal,
São Francisco e região metropolitana de Belém, no
dia 15 de novembro, no município de Castanhal distante 70 Km da
capital, 500 famílias ocupam a fazenda Bacuri e monta o acampamento
João Batista (em lembrança ao deputado do PC do B assasinado
pelo latifúndio em 1988).
É
nesse ano que se intensifica e se solidifica a o MST em Belém,
a partir deste acampamento, que se originou com o deslocamento de militantes
do sul do Estado para a região de Belém, porém isso
só foi possível funda
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mentalmente pelo apoio de pessoas,
de entidades e de igrejas que se cria a Secretaria da Regional Belém
do MST com ampla estrutura para apoiar a luta dos trabalhadores do campo
e da cidade. Nesse ano, várias mobilizações acontecerem,
inclusive com outros movimentos sociais, igrejas (Grito dos Excluídos,
Marcha Estadual - 2 anos de massacre de Eldorado...), ocupações
do INCRA, uma greve de fome de 36 companheiros até que o INCRA
Nacional se deslocasse para Marabá e negociasse.
Ocorre
ainda a ocupação da fazenda Volta do Rio, no município
de Eldorado dos Carajás, por 400 famílias que denominaram
o acampamento de Cabanos em lembrança a Cabanagem.
1999
26 de março: data em que se lembrava 01 ano do assassinato
de Fusquinha e Doutor, o movimento ocupa a fazenda Cabaceiras, a 25 km
e Marabá, de posse da família Mutran, famosa por seus crimes
cometidos contra trabalhadores e o meio ambiente na região. Foi
montada, sob ordem do governador Almir Gabriel (PSDB), uma verdeira operação
de guerra, sendo deslocados para o sul/sudeste do Estado, cerca de 500
policiais militares, civis, federais, pelotão canil, dentre outras,
todos muito bem equipados com armas de grosso calibre, gastando dos cofres
públicos mais de R$ 100,000,00 (cem mil reais) com o objetivo de
efetivar a desocupação de fazendas naquela região.
A fazenda Cabaceiras foi uma destas. Após o despejo violento as
famílias, poucos dias depois, retornam para a área onde
se encontram até hoje.
Nesta
mesma fazenda, antes do despejo, o MST consegue provar através
de denuncias, ossadas de seres humanos e visitas de especialistas na área
a existências de vários cemitérios clandestinos no
interior da fazenda. Autoridades estiveram no local e nada foi feito.
Ainda
por conta da ação de reocupação da fazenda,
20 companheiros, sendo 04 menores foram surpreendidos e presos pela polícia.
Várias marchas de solidariedade foram realizadas, depois de dias
os trabalhadores foram liberados. Já em dezembro, o responsável
pela sede da fazenda, ao colocar seu veículo na direção
de uma criança de apenas 03 anos, do acampamento, acabou por matá-la.
Nada até agora foi feita para que ele pague pelo crime.
Novembro:
realiza-se uma grande Jornada de Lutas por liberação de
Créditos, Estradas, melhores condições de Saúde,
Educação e desapropriação de áreas
ocupadas. Várias rodovias foram fechadas, vários bancos
foram bloqueados, dentre outras atividades. O MST com estas açõess
conquistas, incluindo liberação de recursos e o assentamento
de algumas famílias, como os trabalhadores da antiga Goiás
2, hoje assentamento Onalício Barros.
Com
a criação da secretaria em Belém, várias ações
também foram se desenrolando, tais como:
a) Novo
trabalho de base nas periferias de Belém e conseqüente ocupação
da fazenda TABA, no município de Belém, onde até
hoje permanecem 110 famílias, apesar de terem sido despejados
por duas vezes sob forte aparato policial;
b) Realização permanente de cursos, seminários,
encontros (internos e externos), manifestações públicas
com a presença de trabalhadores do MST e de outras entidades,
propiciando maiores reflexões e lutas inclusive na áreas
urbanas em conjunto com igrejas, partidos, sem tetos, etc, em diversas
áreas, como saúde, educação, juventude,
mulheres, etc;
c) Garantia de apoio permanente ao processo do julgamento do massacre
de Eldorado de Carajás, que, apesar estar parado por conta dos
vários recursos na primeira sessão que absolveu os principais
responsáveis, sob clara e grotesca manobra do juiz e de um dos
jurados, envolvendo grande parte da sociedade que deverá estar
ainda mais mobilizada para a o reinício do julgamento;
d) Avançar a luta em todo o Estado e com o grande apoio dispensado
ao MST em Belém, transferir a Secretaria Estadual para a capital
no mês de agosto, assegurando com isto mais agilidade e apoio
ao conjunto das lutas;
No
final de novembro pistoleiros contratados pelo ex-gerente da fazenda TABA,
fazem emboscada para quatro trabalhadores, deixando um gravemente ferido
a balas.
20
de dezembro: as famílias acampadas na fazenda TABA, reocupam
a sede da fazenda expulsando os pistoleiros.
2000
A Coordenação Nacional do MST define este como um ano de
intensas mobilizações. A
justiça paraense concede liminar de reintegração
de posse ao ex-gerente da fazenda TABA e conseqüente despejo das
famílias que reocupam novamente a área da fazenda. Foram
realizadas até o momento 4 despejos e 5 ocupações.
Março:
duzentas famílias do acampamento João Batista ocupam o INCRA/Belém,
por 10 dias e conseguem um acordo com os seguintes pontos: a) Desapropriação
do complexo Bacuri, assentamento imediato das 200 famílias e o
compromisso de assentar mais 140 famílias indicadas pelo MST no
excedente de terras do complexo, liberação de créditos
e a garantia que a Fazenda TABA não iria sofrer novos despejos,
o acordo até agora está sendo cumprido, dia 04 de maio saiu
no Diário Oficial da União a desapropriação
da Bacuri.
Após
o acordo as famílias desocupam o INCRA e reforçam o acampamento
montado dia 01.04 em frente ao TJE para exigir a anulação
da sentença que absolveu os oficiais que comandaram o massacre.
11
de abril: após muita pressão a 1ª câmara
criminal isolada do TJE anulou por 2 x 1 a sessão que absolveu
os oficiais comandantes da matança de 17 de Abril de 1996.
14
a 16 de abril: o MST realiza o XIII Encontro Estadual na antiga fazenda
TABA com mil delegados/as de todas as áreas de influência
do movimento.
17
de abril: o movimento organiza manifestações de repúdio
pelos 4 anos de impunidade do massacre de Carajás, em Belém
uma caminhada com 5000 manifestantes termina em confusão, manifestantes
de vários movimentos apredrejam a secretária de segurança
pública do Pará, a polícia chega atirando e desmonta
o acampamento em frente ao TJE. Inicia-se uma verdadeira caça as
bruxas 3 manifestantes são presos incluindo um frade franciscano,
depois de muita pressão de entidades de direitos humanos eles são
soltos.
1º
de maio: por ocasião do dia internacional do trabalhador o
MST recebe do escultor dinamarques Jean Galschiot o monumento "Coluna
da Infâmia". O monumento foi inaugurado em uma praça
no centro da capital paraense por vários militantes de movimentos
sociais e partidos de esquerda dentre eles o prefeito Edmilson Rodrigues
(PT).
Julho:
o governador Almir Gabriel (PSDB) libera áreas no sul do Pará
para plantações de soja, uma dessas áreas é
o acampamento 26 de Março (fazenda Cabaceira). Os madereiros começam
a retirar a madeira da área de reserva da Cabaceira durante a noite,
chegam a derrubar 500 toras de madeira, os trabalhadores impedem a saída
da madeira e expulsam os madereiros, o governador ameaça mandar
a polícia para despejar as famílias. O MST apresenta a denúncia
ao IBAMA que multa as empresas. Ainda neste mês o ministro do meio
ambiente Sarney Filho recebe o movimento em audiência e promete
efetivar uma experiência piloto de assentamento agroflorestal na
fazenda Cabaceira, assim como um convênio para trabalhar a redução
das queimadas no Estado do Pará.
A
luta continua...
Dados
do MST - Pará
Levantamento:
30/08.2002 -Secretaria Estadual - MST/PA
|
Nome
do Assentamento
|
Área(há)
|
Município
|
Nº
de famílias
|
Ano
de criação
|
| Palmares |
14.850,00
|
Parauapebas
|
517
|
1995
|
| 17
de Abril |
18.000,00
|
Eldorado
|
687
|
1997
|
| 1º
de Março |
1º
de Março
|
S.J.
do Arag.
|
347
|
1998
|
| Chico
Mendes I |
3.050,00
|
Baião
|
44
|
2000
|
| Chico
Mendes II |
3.450,00
|
Pacajá
|
69
|
2000
|
| Onalício
Barros (Carajás I e II) |
1.770,00
|
Parauapebas
|
68
|
2000
|
| João
Batista |
1.800,00
|
Castanhal
|
156
|
2000
|
| Mártires
de Abril |
890,00
|
Belém
|
91
|
2001
|
|
Sub-total
de famílias assentadas
|
1.979
|
|
| Cabanos |
3.440,00
|
Eldorado
|
90
|
1998
|
| Canudos |
2.836,00
|
Eldorado
|
61
|
1998
|
| Roseli
Nunes |
2.200,00
|
Castanhal
|
80
|
2001
|
| Elisabete
Teixeira |
300,00
|
Belém
|
157
|
2002
|
| 26
de Março |
10.006,00
|
Marabá
|
400
|
1999
|
|
Sub-total
de famílias acampadas
|
788
|
|
|
TOTAL
GERAL DE FAMÍLIAS
|
2.767
|
Veja
mais fotos 
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