Históriia do MST do Pará
 
   
 
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MST

Movimento dos Trabalhoadores sem Terra - Pará

Um breve histórico

1989
O MST começou seu processo de territorialização no estado do Pará. Espacializando a luta pela terra, os primeiros trabalhos foram feitos por sem-terra vindos dos estados de Goiás, Maranhão, Ceará e Pernambuco. É importante lembrar que desde o Primeiro Encontro Nacional do MST, em Cascavel, em janeiro de 1984, e do seu 1º Congresso, em Curitiba, janeiro de 1985, grupos de trabalhadores rurais paraenses participaram desses eventos, na perspectiva de criarem o Movimento no Pará e intensificarem a resistência camponesa. Desse modo, alguns Sindicatos dos Trabalhadores Rurais vinculados à CUT e os trabalhos da CPT foram as principais referências que os sem-terra tiveram no início da articulação de apoio à construção do MST/PA.

1990
10 de janeiro: o MST fez sua primeira ocupação no Pará, que ocorreu no município de Conceição do Araguaia, no Sudeste Paraense, quando em torno de cem famílias ocuparam uma área da fazenda Ingá. Outra parte desse latifúndio de quinze mil hectares estava ocupada por posseiros, que vinham enfrentando jagunços e resistindo na terra. Iniciavam, assim, as ações do MST no Pará: sem-terra lutando junto com posseiros em um dos estados de maior violência contra os trabalhadores rurais.

Julho: 150 famílias organizadas no Movimento ocuparam a fazenda Canarana, também no município de Conceição do Araguaia. No final do ano o MST inicia o trabalho de base na microrregião de Maraba.

1991
Com o apoio da CPT intensificaram os trabalhos de base na microrregião de Marabá. Depois de sete meses de reuniões nas comunidades, mobilizaram em torno de três mil famílias, e decidiram organizar uma ocupação massiva. Nesse tempo, as lideranças foram seguidas pela Polícia Federal e o telefone da secretaria do MST foi grampeado. Em meados de junho de 1991, a polícia Civil, Militar e Federal fechou todas as saídas da cidade de Marabá para impedir a ação dos sem-terra. No dia 17, cercaram a quadra onde estava localizada a secretaria e prenderam 7 lideranças, acusando-as de serem guerrilheiros e de promoverem invasões de terras em série na região.
A prisão das lideranças do MST acontecia no cenário do poder, da violência e da impunidade dos latifundiários, das milícias armadas e das polícias.

1992
Os trabalhos de base foram retomados para a reorganização dos grupos de famílias. Em maio de 1992, os sem-terra participaram de uma jornada de lutas com os sindicatos de trabalhadores rurais filiados a CUT, entregando reivindicações ao INCRA e ao governo estadual para a desapropriação de áreas ocupadas por posseiros e sem-terra.

16 de julho: um ano e um mês depois das prisões, quinhentas e quarenta e oito famílias sem-terra ocuparam a fazenda Rio Branco, no município de Parauapebas, latifúndio de vinte e dois mil hectares. A desocupação da fazenda Rio Branco foi imediata. A ação de despejo aconteceu no decorrer da ocupação, enquanto algumas famílias ainda chegavam para ocupar, outras já estavam sendo despejadas. A Polícia agiu rapidamente e com o apoio dos jagunços da fazenda aprenderam as ferramentas dos trabalhadores. Nas lições das experiências de luta e resistência, os sem-terra foram aprendendo, nas ocupações, a preverem possíveis desdobramentos da reação dos latifundiários e do Estado. De modo, que é preciso ter sempre uma segunda opção para se deslocar na ocorrência do despejo. Nesse caso, montaram acampamento de fronte à prefeitura e negociaram a cessão de transporte, de maneira que pudessem transferir o acampamento para a sede do INCRA em Marabá. Esse acampamento durou cinco meses, tempo em que os sem-terra fizeram uma série de manifestações e negociações, viajando a Belém e a Brasília, na tentativa de mudar a conjuntura. O MST reivindicava a vistoria da Rio Branco que fora acordada nas negociações com o INCRA, mas que não se efetivava. Em dezembro, as famílias reocuparam a fazenda e o INCRA acabou comprando 12 mil hectares do latifúndio, dessa luta se efetivou o assentamento Rio Branco com 250 famílias.

1993
Como a violência contra os camponeses se intensificava, o MST priorizou esse ano para dar organicidade ao movimento. Estruturou a Secretaria Estadual, criou Setores orgânicos do Movimento e uma Direção Estadual. Foi um ano de intensa formação junto à base social e estreitamento de relações junto à sociedade.

1994
Encontro Estadual: o MST define maximizar as ocupações de terra no Estado. Investe também nos cursos de formação com períodos mais prolongados para preparação dos militantes.

Julho: com a definição do assentamento Rio Branco, o MST consegue organiza vários grupos de famílias e no dia 26 de julho de 1994, duas mil e quinhentas famílias ocuparam uma área denominada Cinturão Verde, parte de uma concessão 411.946 hectares - autorizada pelo Senado Federal em 1986 para a Companhia Vale do Rio Doce. Três dias depois da ocupação, as famílias foram despejadas e, novamente, transferiram o acampamento para a prefeitura de Parauapebas, que liberou ônibus e caminhões para transportar as famílias até a sede do INCRA em Marabá. Todavia, dessa vez, a Polícia cercou a sede do Instituto impedindo a ocupação. Os trabalhadores negociaram com o superintendente, o estabelecimento do acampamento das famílias nas dependências do INCRA. Os sem-terra ficaram acampados em Marabá durante cinco meses, negociando com os governos estadual e federal, sem que apresentassem soluções para a situação.

Durante o tempo de acampamento, ocorreram prisões e as famílias fizeram várias manifestações na cidade de Marabá como forma de pressionar o Estado para e efetivação de projeto de assentamento. Foram a Belém para uma audiência como governador Almir Gabriel, que assumiu o compromisso de assentar as famílias e não tratar a questão como caso de polícia. Sem resultados concretos, as famílias retornaram para Parauapebas e fizeram uma manifestação defronte a entrada da Companhia Vale do Rio Doce. Negociaram uma área da prefeitura para o acampamento das famílias.

1995
As famílias permaneceram no acampamento até maio de maio de 1995, quando ocuparam mais uma parte da fazenda Rio Branco.

15 de maio: a segunda ocupação da Rio Branco aconteceu no dia 15 de maio. Durante cinco meses, as famílias resistiram na área sob a ameaça constante de pistoleiros. Decidiram organizar uma marcha de setecentos quilômetros até Belém para cobrar do governador a promessa de assentar as famílias. No dia 18 de outubro iniciaram a marcha e conseguiram uma reunião com o INCRA e com o governo estadual, que propuseram vistoriar a Rio Branco, desde que a marcha fosse cancelada. Os sem-terra não aceitaram a proposta, reivindicavam o assentamento imediato. A vistoria, tão somente, não era garantia de solução. Os laudos técnicos das vistorias eram muito mais uma armadilha na negociação política, já que na maior parte das vezes os resultados eram favoráveis aos latifundiários, como foi o caso da Rio Branco.

Dessa forma, a proposta do INCRA e do governo estadual não apresentava solução para resolver os problemas das famílias em marcha. Assim, continuaram até Eldorado dos Carajás, e foram convidados para uma negociação em Brasília, quando foram informados que o INCRA compraria mais três mil trezentos e oitenta e três hectares da Rio Branco para a implantação do assentamento. Depois de quinze meses de luta e resistência, aquelas famílias conquistavam o direito à terra, que denominaram de assentamento Palmares, em homenagem a Zumbi e à resistência.

Dando continuidade ao processo de pressão para desapropriações de latifúndios, tendo em vista a vinda do Sr. Francisco Graziano, presidente do INCRA/Nacional à região no dia 5 de novembro para a entrega dos lotes da Palmares. Para recepcioná-lo, além dos assentados, estavam mil e quinhentas famílias que reivindicavam a desapropriação da Macaxeira e montaram acampamento em Curionópolis.

A propósito, em agosto deste ano a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Pará (SEGUP/PA), como resposta às solicitações dos grupos oligárquicos e latifundiários da região que temiam o crescimento do MST e de outros movimentos sociais no Estado e no intuito de reprimir a luta dos trabalhadores, cria na Divisão de Investigações e Operações Especiais (DIOE), a Delegacia de Conflitos Fundiários, com atuação em todo o Estado. Passa-se a ter nos arquivos de todas as polícias informações mais minunciosas acerca da organização interna dos trabalhadores, especialmente dos do campo, no sentido de se "prever e evitar inclusive uma nova Guerilha do Araguaia, especificamente das principais lideranças, tidas como radicais, guerrilheiras, comunistas..."

1996
Durante cinco meses, de 5 de novembro de 1995 até 8 de março de 1996, em torno de mil e quatrocentas famílias montaram acampamento no Centro de Orientação e Formação Agropastoril de Curionópolis, aguardando o resultado da vistoria da Macaxeira. No laudo de avaliação "técnica", o latifúndio foi classificado como produtivo. Os sem-terra ocuparam a Macaxeira e organizaram a resistência contra os jagunços e a Polícia. Iniciaram o processo de negociação com o INCRA que propôs assentá-los em um projeto de assentamento de cento e cinqüenta mil hectares, na região de Tucuruí. Os sem-terra não concordaram. Muitas famílias haviam enfrentado problemas com malária naquela região.

Não aceitaram o desterro, o objetivo das famílias era o latifúndio Macaxeira. Há tempos, a Macaxeira havia sido dividida em treze fazendas (Essa é uma estratégia muito utilizada pelos latifundiários para evitarem a desapropriação), de modo que os sem-terra iniciaram as pressões para tentarem mudar a conjuntura. No dia 10 de abril de 1996, em torno de duas mil pessoas iniciaram nova marcha para Belém.

16 de abril: quando chegaram na "curva do S", em Eldorado dos Carajás, os sem-terra decidiram bloquear a rodovia PA 150, como forma de pressionar o governo para a negociação e exigir comida. Com o bloqueio, o governador enviou um comandante da Polícia Militar de Parauapebas para negociar. Ficou acordado que se a rodovia fosse liberada, o governo enviaria alimentos e 50 ônibus para que os sem-terra fossem até Marabá, onde haveria negociações com o superintendente do INCRA. Às onze horas do dia 17 de abril, foram informados pelo comandante que o acordo não seria cumprido. Os sem-terra decidem bloquear a rodovia novamente. Às 16 horas chegaram dois batalhões da Polícia Militar: um vindo de Marabá e o outro de Parauapebas. E não vieram para negociar. Chegaram atirando e jogando bombas de gás lacrimogêneo. Os sem-terra tentaram reagir com pedras e paus. Aconteceu o massacre. Segundo os dados oficiais: foram dezenove sem-terra mortos e 69 feridos. A repercussão desse fato foi internacional. Era o segundo massacre no governo Fernando Henrique Cardoso. O primeiro foi em Corumbiara, Rondônia, em 9 de agosto de 1995.

02 de maio: doze membros da Coordenação Nacional do MST reuniram-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com o ministro da reforma Agrária, Raul Jungmann. Por causa do massacre, o presidente havia criado o Ministério Extraordinário de Política Fundiária, em 30 de abril de 1996, e demitiu o ministro da Agricultura José Eduardo Andrade Vieira, que tinha sob seu comando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. O MST apresentou ao presidente alguns pontos fundamentais para a realização da reforma agrária, responsabilizou o governador Almir Gabriel e o ministro da Justiça pelo Massacre de Eldorado dos Carajás, exigiu a prisão preventiva dos policiais que participaram do episódio e reivindicava a desapropriação imediata do latifúndio Macaxeiras.

Os sem-terra enterraram seus mortos e reocuparam a Macaxeira. A violência do massacre foi tão forte que metade das famílias se dispersaram.

1997
Com nova vistoria, algumas áreas da Macaxeira foram classificadas como improdutivas e parte do latifúndio foi desapropriada, onde foram assentadas seiscentas e noventa famílias em dezoito mil e oitenta e nove hectares. O assentamento foi batizado de 17 de abril. O arquiteto Oscar Niemeyer projetou um monumento que chamou de Eldorado Memória. No dia 07 de setembro, o monumento foi inaugurado em Eldorado dos Carajás. Duas semanas depois, com constantes ameaças de destruição pelos latifundiários, o monumento foi derrubado a golpes de picaretas. No assentamento provisório as famílias começaram a plantar suas primeiras roças e a constituir os setores de atividades do Movimento. Inauguram suas escolas e os cursos de alfabetização de jovens e adultos. Nesse tempo, o MST inaugurou a Cooperativa Mista dos Assentamentos de Reforma Agrária do Sul e Sudeste do Pará. Participando desse processo de consolidação do MST - PA, as famílias do assentamento 17 de Abril reconstruíam suas vidas. Continuaram os trabalhos de base para organizar novos grupos de famílias. Afinal, existem muitos sem-terra e muito latifúndio para ocupar.

1º de março: ocorre a ocupação da fazenda Pastoriza, no município de São João do Araguaia, próximo a cidade de Marabá. Esta área hoje, já desapropriada e criada o Projeto de Assentamento "1º de Março", também palco de crimes cometidos contra trabalhadores pelos antigos proprietários, possui 350 famílias.

10 a 17 de abril: em vários países aconteceram exposições de fotos de Sebastião Salgado, intitulada TERRA, com texto de José Saramago e um disco compacto com músicas compostas e interpretadas por Chico Buarque. A primeira exposição aconteceu em Bruxelas, na Bélgica, quando o MST recebeu o Prêmio Internacional Rei Balduíno para o Desenvolvimento. As exposições foram espaços, onde o MST divulgou a luta pela terra e pela reforma agrária, denunciou a violência e a impunidade, realizando várias manifestações e instituindo o dia 17 de abril como o Dia Internacional de Luta Camponesa.

Novembro: descontentes com a política fundiária do governo federal, através de Superintendência Regional em Marabá, mais de 5.000 famílias, destas 1.200 vindo de áreas acompanhadas pelo MST, e as demais da FETAGRI (Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado do Pará) e de Sindicatos Rurais do Sul e Sudeste do Pará, ocupam o INCRA/Marabá, exigindo desapropriações, liberação de créditos, abertura de estradas e muitas outras promessas já feitas pelo INCRA, e até então não tinham sido cumpridas. Sem a presença de nenhum representante de Brasília e nenhum prazo para negociações, realiza-se em Marabá uma série de atos públicos. Só depois então consegue-se a realização audiências, culminando com a ida à Brasília de vários representantes dos trabalhadores. Dentre outras conquistas imediatas, os sem terras conseguem que o superintendente local fosse transferido.

Dezembro: no município de Tucuruí, depois de acampados na área de uma Escola Agrícola com 1.400 famílias, o MST ocupa a fazenda Beija-Flor, até então utilizada de forma irregular por uma família históricamente truculenta na região. Essa ocupação se tornou Projeto de assentamento em 1999, denominado de Assentamento Chico Mendes.

1998
14 de março: em torno de quinhentas famílias ocuparam a fazenda Goiás II, em Parauapebas. Tentaram resistir, mas ante as ameaças constantes dos pistoleiros da fazenda resolveram desocupar a fazenda.

26 de março: transferiram o acampamento para uma área próxima ao assentamento Carajás e, durante a mudança, foram emboscados pelos pistoleiros e policiais miltares. No ataque, duas lideranças foram mortas: Onalício Araújo Barros, conhecido como Fusquinha, e Valentim Serra, o Doutor. Logo após o sepultamento dos dois companheiros, as famílias reocupam a fazenda, onde permanecem até hoje, com 69 famílias no assentamento Onalício Barros.

Após esse episódio, o Exército se instalou na região: cercou o assentamento Palmares, a entrada do assentamento 17 de Abril e da fazenda Goiás II, passou a revistar todos que entravam nessas áreas, realizou trabalho de identificação das principais lideranças do MST na região, realizou trabalhos de saúde para o povo no intuito de cooptar para obter informações, e só se retirou da região logo após as eleições, em outubro/98. Durante esse processo o MST apresentou as fazendas já denunciadas ao poder público com sendo centros de pistolagens e a de guardas de armas de grosso calibre que sequer foram visitadas pelas tropas do exército.

Porém, a presença do Exército naquela região só levou o Movimento a se territorializar para outras regiões do Estado. É ainda neste ano que, depois de amplo trabalho de cadastros de novas famílias sem terra efetivados nos municípios de Castanhal, São Francisco e região metropolitana de Belém, no dia 15 de novembro, no município de Castanhal distante 70 Km da capital, 500 famílias ocupam a fazenda Bacuri e monta o acampamento João Batista (em lembrança ao deputado do PC do B assasinado pelo latifúndio em 1988).

É nesse ano que se intensifica e se solidifica a o MST em Belém, a partir deste acampamento, que se originou com o deslocamento de militantes do sul do Estado para a região de Belém, porém isso só foi possível funda

mentalmente pelo apoio de pessoas, de entidades e de igrejas que se cria a Secretaria da Regional Belém do MST com ampla estrutura para apoiar a luta dos trabalhadores do campo e da cidade. Nesse ano, várias mobilizações acontecerem, inclusive com outros movimentos sociais, igrejas (Grito dos Excluídos, Marcha Estadual - 2 anos de massacre de Eldorado...), ocupações do INCRA, uma greve de fome de 36 companheiros até que o INCRA Nacional se deslocasse para Marabá e negociasse.

Ocorre ainda a ocupação da fazenda Volta do Rio, no município de Eldorado dos Carajás, por 400 famílias que denominaram o acampamento de Cabanos em lembrança a Cabanagem.

1999
26 de março: data em que se lembrava 01 ano do assassinato de Fusquinha e Doutor, o movimento ocupa a fazenda Cabaceiras, a 25 km e Marabá, de posse da família Mutran, famosa por seus crimes cometidos contra trabalhadores e o meio ambiente na região. Foi montada, sob ordem do governador Almir Gabriel (PSDB), uma verdeira operação de guerra, sendo deslocados para o sul/sudeste do Estado, cerca de 500 policiais militares, civis, federais, pelotão canil, dentre outras, todos muito bem equipados com armas de grosso calibre, gastando dos cofres públicos mais de R$ 100,000,00 (cem mil reais) com o objetivo de efetivar a desocupação de fazendas naquela região. A fazenda Cabaceiras foi uma destas. Após o despejo violento as famílias, poucos dias depois, retornam para a área onde se encontram até hoje.

Nesta mesma fazenda, antes do despejo, o MST consegue provar através de denuncias, ossadas de seres humanos e visitas de especialistas na área a existências de vários cemitérios clandestinos no interior da fazenda. Autoridades estiveram no local e nada foi feito.

Ainda por conta da ação de reocupação da fazenda, 20 companheiros, sendo 04 menores foram surpreendidos e presos pela polícia. Várias marchas de solidariedade foram realizadas, depois de dias os trabalhadores foram liberados. Já em dezembro, o responsável pela sede da fazenda, ao colocar seu veículo na direção de uma criança de apenas 03 anos, do acampamento, acabou por matá-la. Nada até agora foi feita para que ele pague pelo crime.

Novembro: realiza-se uma grande Jornada de Lutas por liberação de Créditos, Estradas, melhores condições de Saúde, Educação e desapropriação de áreas ocupadas. Várias rodovias foram fechadas, vários bancos foram bloqueados, dentre outras atividades. O MST com estas açõess conquistas, incluindo liberação de recursos e o assentamento de algumas famílias, como os trabalhadores da antiga Goiás 2, hoje assentamento Onalício Barros.

Com a criação da secretaria em Belém, várias ações também foram se desenrolando, tais como:

a) Novo trabalho de base nas periferias de Belém e conseqüente ocupação da fazenda TABA, no município de Belém, onde até hoje permanecem 110 famílias, apesar de terem sido despejados por duas vezes sob forte aparato policial;
b) Realização permanente de cursos, seminários, encontros (internos e externos), manifestações públicas com a presença de trabalhadores do MST e de outras entidades, propiciando maiores reflexões e lutas inclusive na áreas urbanas em conjunto com igrejas, partidos, sem tetos, etc, em diversas áreas, como saúde, educação, juventude, mulheres, etc;
c) Garantia de apoio permanente ao processo do julgamento do massacre de Eldorado de Carajás, que, apesar estar parado por conta dos vários recursos na primeira sessão que absolveu os principais responsáveis, sob clara e grotesca manobra do juiz e de um dos jurados, envolvendo grande parte da sociedade que deverá estar ainda mais mobilizada para a o reinício do julgamento;
d) Avançar a luta em todo o Estado e com o grande apoio dispensado ao MST em Belém, transferir a Secretaria Estadual para a capital no mês de agosto, assegurando com isto mais agilidade e apoio ao conjunto das lutas;

No final de novembro pistoleiros contratados pelo ex-gerente da fazenda TABA, fazem emboscada para quatro trabalhadores, deixando um gravemente ferido a balas.

20 de dezembro: as famílias acampadas na fazenda TABA, reocupam a sede da fazenda expulsando os pistoleiros.

2000
A Coordenação Nacional do MST define este como um ano de intensas mobilizações.
A justiça paraense concede liminar de reintegração de posse ao ex-gerente da fazenda TABA e conseqüente despejo das famílias que reocupam novamente a área da fazenda. Foram realizadas até o momento 4 despejos e 5 ocupações.

Março: duzentas famílias do acampamento João Batista ocupam o INCRA/Belém, por 10 dias e conseguem um acordo com os seguintes pontos: a) Desapropriação do complexo Bacuri, assentamento imediato das 200 famílias e o compromisso de assentar mais 140 famílias indicadas pelo MST no excedente de terras do complexo, liberação de créditos e a garantia que a Fazenda TABA não iria sofrer novos despejos, o acordo até agora está sendo cumprido, dia 04 de maio saiu no Diário Oficial da União a desapropriação da Bacuri.

Após o acordo as famílias desocupam o INCRA e reforçam o acampamento montado dia 01.04 em frente ao TJE para exigir a anulação da sentença que absolveu os oficiais que comandaram o massacre.

11 de abril: após muita pressão a 1ª câmara criminal isolada do TJE anulou por 2 x 1 a sessão que absolveu os oficiais comandantes da matança de 17 de Abril de 1996.

14 a 16 de abril: o MST realiza o XIII Encontro Estadual na antiga fazenda TABA com mil delegados/as de todas as áreas de influência do movimento.

17 de abril: o movimento organiza manifestações de repúdio pelos 4 anos de impunidade do massacre de Carajás, em Belém uma caminhada com 5000 manifestantes termina em confusão, manifestantes de vários movimentos apredrejam a secretária de segurança pública do Pará, a polícia chega atirando e desmonta o acampamento em frente ao TJE. Inicia-se uma verdadeira caça as bruxas 3 manifestantes são presos incluindo um frade franciscano, depois de muita pressão de entidades de direitos humanos eles são soltos.

1º de maio: por ocasião do dia internacional do trabalhador o MST recebe do escultor dinamarques Jean Galschiot o monumento "Coluna da Infâmia". O monumento foi inaugurado em uma praça no centro da capital paraense por vários militantes de movimentos sociais e partidos de esquerda dentre eles o prefeito Edmilson Rodrigues (PT).

Julho: o governador Almir Gabriel (PSDB) libera áreas no sul do Pará para plantações de soja, uma dessas áreas é o acampamento 26 de Março (fazenda Cabaceira). Os madereiros começam a retirar a madeira da área de reserva da Cabaceira durante a noite, chegam a derrubar 500 toras de madeira, os trabalhadores impedem a saída da madeira e expulsam os madereiros, o governador ameaça mandar a polícia para despejar as famílias. O MST apresenta a denúncia ao IBAMA que multa as empresas. Ainda neste mês o ministro do meio ambiente Sarney Filho recebe o movimento em audiência e promete efetivar uma experiência piloto de assentamento agroflorestal na fazenda Cabaceira, assim como um convênio para trabalhar a redução das queimadas no Estado do Pará.

A luta continua...

Dados do MST - Pará

Levantamento: 30/08.2002 -Secretaria Estadual - MST/PA

Nome do Assentamento
Área(há)
Município
Nº de famílias
Ano de criação
Palmares
14.850,00
Parauapebas
517
1995
17 de Abril
18.000,00
Eldorado
687
1997
1º de Março
1º de Março
S.J. do Arag.
347
1998
Chico Mendes I
3.050,00
Baião
44
2000
Chico Mendes II
3.450,00
Pacajá
69
2000
Onalício Barros (Carajás I e II)
1.770,00
Parauapebas
68
2000
João Batista
1.800,00
Castanhal
156
2000
Mártires de Abril
890,00
Belém
91
2001
Sub-total de famílias assentadas
1.979
Cabanos
3.440,00
Eldorado
90
1998
Canudos
2.836,00
Eldorado
61
1998
Roseli Nunes
2.200,00
Castanhal
80
2001
Elisabete Teixeira
300,00
Belém
157
2002
26 de Março
10.006,00
Marabá
400
1999
Sub-total de famílias acampadas
788
TOTAL GERAL DE FAMÍLIAS
2.767

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