
Crônica
de uma história de vitórias
Há
uns dez anos atrás o Centro de Educação e Cultura
do Trabalhador Rural (Centru) adquiriu no município e João
Lisboa uma área de 10 hectares de terras de um senhor japonês
que trabalha uma produção de gado e uma horta com base
em agrotóxico. A idéia era consolidar um espaço
de formação política do trabalhador rural com alojamento,
auditório, área de produção de várias
árvores frutíferas, madeiras e hortas, o que os doutores
chamam de sistema agro-florestal.
Como a
vida não é festa, os dias de trabalho foram duros. Primeiro
era o trabalho de superar o uso do veneno na terra maltratada, retirar
o pasto. Lá nem bicho se via mais, passarinho não piava
pelas bandas do que hoje é uma experiência reconhecida
em toda região e fora dela. Não é difícil
o que foi batizado Centro de Estudos do Trabalhador Rural (Cetral),
receber visita de trabalhadores rurais, professores e pesquisadores
de outros estados.
CETRAL/CDT
é o novo nome do Cetral, onde CDT acrescenta-se essa nova característica
de um Centro de Difusão de Tecnologias. O ninho de debate e de
desenvolvimento de experiências do Centru/CCAMA e cooperativas
agroextrativistas possuem espaço para alojamento, salão
para reuniões e seminários, refeitório, dez hectares,
onde é desenvolvida tecnologia que não agrida o meio ambiente.
Na área
é cultivada horta, trinta e nove espécies frutíferas,
entre elas, acerola, caju, banana, abacaxi, coco, jaca, goiaba, cupuaçu,
murici. Entre as madeiras podemos encontrar, Cedro, Ipê, Inharé,
Copaíba, Mogno, Paricá, Nim. No caso das leguminosas,
usadas para adubação verde, é farta a produção
de feijão guandu, Mucuna Preta, Sabiá. Sem falar em uma
mata nativa de palmeira de babaçu. Onde antes imperava o uso
de agrotóxico, e era raro encontrar alguma ave e pequenos animais,
hoje é um exemplo concreto que é possível produzir
sem ferir o meio ambiente. A responsabilidade técnica e de manutenção
fica por conta de Cleidson Marinho (técnico agrícola)
Aureni e Raimundo Macedo, responsáveis pela produção
e instalações.
Casa do
mel é a mais recente iniciativa, onde uma fábrica para
beneficiamento já se encontra em atividade, industrializando
mel de outras localidades, enquanto o apiário de vinte colméias
a ser distribuído numa área de capoeira dentro do CETRAL/CDT,
aguarda conclusão.
Foi uma
iniciativa do Centru e das Cooperativas Agroextrativistas a criação
do CETRAL/CDT. A idéia essencial é que o espaço
seja um modelo demonstrativo de sistemas agroflorestais, formando agentes
agroflorestais, agricultores e agricultoras familiares (jovens), num
processo gradativo de transformá-lo em modelos de sistemas agrosilvopastoril,
com a integração dos pequenos e médios animais,
em especial a abelha (apicultura) e o bode (caprinocultura), ovelhas
(ovinocultura), e minhocas (minhocultura) com a produção
temporária e permanente já existente.
Com tal
iniciativa, temos a finalidade de barrar o processo da devastação
da Amazônica Legal e do Cerrado Maranhense, provocado pela implantação
de grandes projetos. O Cetral/CDT tem apoio do PPP/GEF/PNUD/ISPN (Programa
para Pequenos Projetos), Fundo Mundial para o Meio Ambiente, Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Instituto Sociedade
População e Natureza. Os sistemas agroflorestais, SAF´s,
é a tecnologia a ser desenvolvida no sentido de incentivar a
produção familiar diversificada e integrada. O Centro
de Difusão de Tecnologias serve ainda para a formação
de agentes multiplicadores das experiências. A experiência
é desenvolvida nos PA´S Tabuleirão I (Senador La
Roque) e Tabuleirão II (Buritirana), na Coopevida, em SR das
Mangabeiras, PA São Jorge , Cidelândia, e no Campo Formoso,
Cooperativa de Amarante. Venha nos visitar, venha ver que um outro modelo
de produção é possível e viável.