Histórico da Cepasp
 
   
 
.: CEPASP > História      
     
 

Parece que foi ontem
Cepasp 15 anos de luta

Por Raimundo Gomes da Cruz Neto e Rogério Almeida

O Começo de tudo
Faz 15 anos que Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular Cepasp - surgiu, resultado da união de vários militantes dos movimentos populares da região sul do Pará, Norte do Brasil, em plena Amazônia, que possuem em comum o ideário de construção de uma sociedade ancorada nos princípios socialistas.

O Cepasp é uma entidade sem fins lucrativos, atua junto aos movimentos populares e sindicais das regiões sul e sudeste do Pará, reconhecidas pela concentração de terra, implantação de grandes projetos (Programa Grande Carajás), violência contra os trabalhadores (as) rurais e mobilização e articulação de várias entidades sindicais e ambientalistas.

Ao longo de sua história o Cepasp tem incentivado a organização de entidades, motivado seminários e organização de banco de dados sobre assuntos de interesse dos movimentos populares da região. Colabora, participa e produz material de apoio, cartilha, jornais, vídeos e intercâmbios regionais, nacionais e internacionais. Tudo com o objetivo de instigar nos participantes das organizações populares uma consciência crítica, voltada para a construção de uma sociedade menos desigual, sintonizada na conquista da terra, garantia dos direitos humanos, numa lógica ecológica de desenvolvimento sustentável, onde o ser humano possa utilizar a natureza sem destruí-la.

O Cepasp através de uma equipe de técnicos desenvolve junto às comunidades de pequenos produtores, experiências de aplicação de tecnologias alternativas, na busca de uma agricultura que possibilite geração de renda e educação ambiental.

A equipe do Cepasp avalia que a grande contribuição tem se dado no campo político das lutas populares do campo e da cidade, funcionando como articulador entre as variadas entidades da região. Ao longo de sua jornada a entidade tornou-se referência em acumulo de dados e experiências nas questões de luta pela terra e ambiental, onde busca conhecer, entender e propor políticas públicas, além de colaborar para a formação de quadros via assessoria às entidades na busca de um Brasil verdadeiramente democrático. Este breve resgate da história do Cepasp tem a intenção de narrar um pouco da luta do Cepasp, citar o conjunto de atores envolvidos em sua trajetória, suas bandeiras, acertos, fracassos, desafios e perspectivas. Boa viagem!

Entre 1984 e 1985
O Cepasp nasceu no fim de 1984 para 1985, início da redemocratização do país, no redemoinho de implantação de grandes projetos de colonização e exploração da Amazônia - Programa Grande Carajás (PGC) , exploração de ferro, construção da Estrada de Ferro de Carajás, conflitos na luta pela terra, garimpo de Serra Pelada, construção da Usina Hidroelétrica de Tucuruí, que resultou no crescimento demográfico de 3 para 11 habitantes por quilômetro quadrado.

Na época Tucuruí, Jacundá, Itupiranga, Marabá, São João do Araguaia e Rondo do Pará eram os seis municípios que constituíam o sudeste do Pará, o Estado era governado por Jader Barbalho (PMDB). Na ocasião o norte da luta sindical era a tomada dos sindicatos rurais por lideranças consideradas autênticas. Na época os STR´s eram coordenados por pessoas atreladas aos latifundiários, direção de grandes empresas que se implantavam na região e políticos tradicionais. Os trabalhadores rurais direcionavam a luta, na cidade a categoria dos professores iniciava sua organização juntamente com a associação de moradores.

A marca da luta do Cepasp tem sido a luta por uma sociedade menos cruel na região, ao longo dos anos marcada pela violência contra o trabalhador rural, inoperância do poder constituído e impunidade. O poder constituído além de contar com o apoio de órgãos governamentais como policia, Emater, Getat, Iterpa e Poder Judiciário, sempre fez uso de milícias particulares para eliminar as lideranças sindicais, que contam apenas com o apoio de demais entidades de apoio ao movimento popular da região e setores da Igreja Católica.

A desigualdade de forças tem marcado a luta, luta que em várias ocasiões tem um fim trágico, como as chacinas de Castanhal e Ubá em São João do Araguaia, Surubim e Princesa em Marabá entre os anos de 1985 e 1986, que terminou com a morte de treze trabalhadores rurais; Eldorado do Carajás em 1996, 19 trabalhadores rurais foram assassinados.

MEIO AMBIENTE
Entre os vários desafios da região, a questão ambiental tem sido um dos maiores. No início da nossa peleja a Construção da Usina de Tucuruí, formação do lago de Tucuruí sem a retirada de árvores e animais da área que foi inundada, uso abusivo de agrotóxicos ao longo da linha de energia da Eletronorte e ausência de estudo prévia sobre os impactos sociais e ambientais se constituiu no maior embate.

A preocupação com a ocupação da Amazônia e o meio ambiente sempre fizeram parte do trabalho do Cepasp. Em 1988 a entidade move um inquérito civil público junto a Procuradoria Geral da República, solicitando que sejam apurados os danos ambientais provocados pela implantação das usinas siderúrgicas na região, um dos tentáculos do PGC.

Entidades nacionais engrossaram o coro dos descontentes junto ao Cepasp, entre elas: ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Inesc, Fase, CUT (Central Única dos Trabalhadores), CTI, SDDH (Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos), MNDDH (Movimento Nacional de Defesa dos Direitos Humanos). O parecer técnico teve a assinatura dos cientistas Philip Fearside do INPA, Orlando Valverde (CNDDA) e Alceo Magrini.

Encontros e desencontros
Além de participar de vários encontros sobre meio ambiente e fóruns regionais, nacionais e internacionais, o Cepasp motivou ao longo de seus 15 anos de vida quatro encontros para discutir a temática: Encontro Marabaense em Defesa do Maio Ambiente (1988, 1989, 1990 e 1991), sempre em junho, mês em que se comemora o Dia Internacional do Meio Ambiente.

Como ação concreta o Cepasp colaborou e participou de manifestações públicas contra o fechamento da Barragem de Tucuruí, em Tucuruí, Cametá e Marabá (Pará) ainda em 1984. Em oposição à implantação de usinas siderúrgicas esteve presente em ações em Marabá, Tucuruí e Belém (Pará); Açailândia e São Luís (MA) e Alemanha.

Temas dos encontros
Os encontros sobre meio ambiente debateram entre outras questões, o modelo de ocupação da Amazônia, que sempre obedeceu uma lógica autoritária, numa engenharia que valida somente a matemática do lucro, que sempre desconsiderou as populações nativas em sua relação com o meio ambiente, seus valores, crenças e modos de vida.
Problemáticas como a implantação de projetos agropecuários, exploração madeireira, garimpo, barragens, projetos siderúrgicos, concentração fundiária esteve na pauta. Trabalhadores rurais, urbanos, estudantes, professores, populações indígenas eram a platéia, atores dos encontros. Encontros que aconteceram com o apoio de entidades como a UFPA, DNPM. APPEA,IDESP, SOPREN, FETAGRI, NAEA, ACAP, SAGRI, SDDH a nível de Pará; ABA (RJ); INPA (AM), SDDH (MA); STR (São João do Araguaia), CAT, CPT, AMBCN, GEMA, FATA, Casa da Cultura, MEB, Sintepp de Marabá.

Educação Ambiental
As ações da Cepasp no sentido de motivar a importância do meio ambiente deu-se também junto às escolas de Marabá até 1992. A atividade aconteceu através de professores alinhados com a proposta de trabalho do Cepasp nas escolas municipais da Liberdade, Salomé Carvalho e profº Gaspar Viana, através de organização de grupos ecológicos, trabalhos escolares.
O MEEM (Movimento Ecológico Estudantil de Marabá), foi cria desta iniciativa de levar o debate sobre ambiente para as escolas. A partir daí o assunto meio ambiente ganha maior inserção na região, principalmente junto aos trabalhadores(as) rurais, que tem demonstrado mais atenção na temática, até por ser o ator mais atingido com a implantação de grandes projetos na região.

Um passo a frente e não se está mais no mesmo lugar
Em 1987, com pouco mais de três anos de estrada, O Cepasp acumulava experiência e documentação sobre a região sudeste do Pará. Em 1987, um ano antes da Assembléia Nacional Constituinte, a entidade começava a semear propostas para o desenvolvimento do sudeste do Pará, pautando a exploração agrícola, produção familiar e o extrativismo como alternativas aos pequenos agricultores, sistema conhecido como agroextrativista.
O trabalho de luta pela conquista da terra passa a ser conjugado com a construção de alternativas produtivas pelos pequenos agricultores, considerando o uso racional dos recursos naturais da floresta como baliza.

Uma vez mais a entidade questiona a forma de colonização imposta pelo governo federal à região, através do Incra, que loteava a região em pequenas e grandes propriedades; o primeiro para agricultores, o segundo legado para os latifundiários, atitude que precipitou na construção do latifúndio improdutivo, destruição do polígono dos castanhais em detrimento de pasto, e de quebra configurou um quadro de extrema violação aos direitos humanos, traduzido no seqüestro, prisão, tortura e assassinato de lideranças sindicais, advogados, religiosos e técnicos de entidades de apoio.

"Para todo e qualquer assentamento a ser realizado na região deve preceder um estudo sobre potencial econômico e ambiental da área". Em 1988 era a proposta defendida pelo Cepasp para região do polígono dos castanhais (Marabá, Itupiranga, São João do Araguaia, São Geraldo do Araguaia). Feito isto, definiríamos o número de famílias a serem assentadas e a forma de exploração, superando com tal estratégia o modelo tradicional imposto pelo Incra. Como o olhar do movimento sindical da época estava centrado na simples conquista da terra, sem vislumbrar passos para o futuro, e a intervenção de órgãos públicos, a proposta não foi considerada.

COMUNIDADES DE ATUAÇÃO
Araras: A atividade do Cepasp na comunidade de Araras, distante 40km de Marabá, data de 1987, início do assentamento. Em Araras, a entidade implementou atividade de desenvolvimento que contemplava ao mesmo tempo as relações sociais na comunidade com sistemas de produção agroextrativista (cupuaçu, castanha, açaí e pupunha) beneficiamento e comercialização.
A Caixa Agrícola de Araras, articulação do Grupo de Mulheres e fortalecimento do Sindicato dos Trabalhadores de São João do Araguaia são resultados desse trabalho. A atividade da entidade em Araras tem hoje ressonância em todo o sudeste do Pará, estado e região Norte e Nordeste do país. Em araras é freqüente a visita de trabalhadores rurais, técnicos e pesquisadores da região, do estado, estados vizinhos e do exterior, a fim de conhecer a experiência da comunidade em desenvolvimento sustentável.

janeiro de 1987: A equipe de reportagem do Globo Rural da Rede Globo de Televisão fez matéria sobre a comunidade, na matéria foi mostrado o sistema de produção desenvolvido, a organização da comunidade e o processo de beneficiamento de frutas.

Avaliando que o trabalho foi ancorado no bom senso e teve resposta favorável, estendemos a experiência de Araras a outras comunidades. Em Nova Ipixuna oportunizou a criação do projeto de assentamento agroextrativista, atualmente a comunidade se encontra organizada em torno do Correntão, que congrega uma cooperativa de agricultores que trabalha com a produção de derivados de frutas (polpas de Cupuaçu e Açaí).

A articulação
Junto ao movimento sindical da região sudeste do Pará, tem se dado vezes num trabalho mais próximo com entidades de alguns municípios, em outros casos de forma mais pontual através de cursos, encontros e reuniões.
Nos municípios em que o Cepasp esteve mais próximo, colaborou desde a organização, participação em atividades de planejamento do sindicato, elaboração de plano de ação e participação na execução de estratégias.

STR de Tucuruí
Junto ao STR de Tucuruí acompanhou a caminhada desde 1985, principalmente em negociações frente a Eletronorte no município de Tucuruí e Brasília. Naquela época organizou estudo sobre a problemática causada pela formação do lago, elaborou planilha do prejuízo causado aos agricultores, o material serviu como apoio nas discussões junto a Eletronorte. Ainda em Tucuruí apoiou o STR em processos eleitorais através da realização dos cursos de formação sobre política sindical e sistemas de produção.

STR´s de Jacundá e Itupiranga
A história agora se passa nos STR´s de Jacundá e Itupiranga, que faziam parte do conjunto de entidades que debatiam com a Eletronorte. Entre 1985 e 1986 o Cepasp atuou no sentido de garantir a direção dos sindicatos nas mãos de pessoas realmente alinhadas com os anseios dos representados.

Itupiranga: A entidade contribuiu STR´s de Jacundá e Itupiranga até 1992 em atividades de apoio à organização dos trabalhadores rurais. A partir de 1993 o curso da história a coloca a entidade em outras trincheiras.
Jacundá: As atividades datam desde 1987 num trabalho de ampla articulação entre todas as organizações da região.

Eldorado do Carajás e Parauapebas
Nesses municípios, o Cepasp trabalhou em 1992 e 1988, respectivamente, junto aos STR´s na organização e desenvolvimento de programações. Em Parauapebas tivemos várias vezes contribuindo com o STR em negociações junto a CVRD e na busca de soluções em questões fundiárias em debates com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto de Terras do Pará (Iterpa), na defesa de agricultores prejudicados pelos interesses da CVRD.

Junto ao STR de Eldorado trabalhamos desde sua fundação em 1992 na organização da categoria, da produção, e em reuniões para solucionar os conflitos frente aos órgãos públicos. Entre as principais lutas de Eldorado o Cepasp esteve presente nos conflitos fundiários nas comunidades de Abaeté (1987 e 1991), Água Fria e Pedra Furada (desde 1986), rearticulação da diretoria do STR e fortalecimento das delegacias sindicais após o assassinato de seu presidente, Arnaldo Delcídio em 02 de maio de 1993, e organização da Caixa Agrícola dos Pequenos Produtores de Eldorado do Carajás em 1994.

STR de Marabá
O Cepasp prestou assessoria desde a sua a fundação, que antecede a fundação formal do Cepasp. Em 1985 apoiou o movimento de oposição à diretoria, que foi constituído pelo fato da sua diretoria ter se afastado dos interesses de seus representados. Em sua gestão de 1991/1994, a diretoria passou a assumir uma ligação com latifundiários da região e com a oligarquia dos castanhais. Em 1994 a oposição consegue a diretoria do STR.
Na cidade, o Cepasp contribuiu principalmente junto ao Sindicato dos Professores do município de Marabá, onde a entidade participou das primeiras reuniões de articulação do sindicato, através de cursos de formação política.

A contribuição da entidade em cada sindicato se reflete no papel de articulador político dentro da região, que começa a tomar corpo com a instalação da CUT-Regional em 1988, encontro dos trabalhadores rurais em abril de 1990 em Parauapebas, que teve a participação de 11 municípios e produção de documentos encaminhados para a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), diversos ministérios e a rearticulação da CUT-Sudeste em 1991, que reuniu a maioria dos sindicatos de trabalhadores da região em congresso.

A LIÇÃO PASSADA EM FRENTE
Material pedagógico: Entre as atividades que o Cepasp desenvolve está levantamento de dados, produção de material de apoio, estudo sobre as principais problemáticas da região e publicação de seu informativo que já dura 10 anos. Ao longo de sua breve jornada a entidade constituiu um acervo de documentos e produziu vários materiais, entre eles destacamos:

- Material sobre o Remanejamento dos Atingidos pela Barragem de Tucuruí.
- O uso de agrotóxico ao longo da Linha de Transmissão de Energia Área do Lago.
- Expansão da Cidade de Marabá.
- Garimpo de Serra Pelada.
- Questão Fundiária no Sudeste no Pará.
- Os impactos sociais do Projeto Grande Carajás (parceria com a SDDH).
- Implantação de siderúrgicas em Marabá.
- Levantamento sócio-econômico em C

omunidades Rurais.

Este acervo de material somado ao arquivo que o Cepasp, vem construindo ao longo de sua trajetória vem contribuindo tanto para o público que a entidade trabalha, como para estudantes de 1º, 2º e 3 º graus. O acervo também tem sido utilizado por pesquisadores para produção de teses de mestrado e doutorado, bem como para vídeos, exemplo do material produzido pela doutora Edna Castro, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) da Universidade Federal do Pará (Ufpa).

ASSISTÊNCIA TÉCNICA
1998: A entidade vem prestando assessoria técnica mais sistemática aos trabalhadores rurais da região, em convênio celebrado com o Incra, através do Projeto Lumiar, uma reivindicação antiga, conquistada ao longo de vários Gritos da Terra Brasil realizados pelos trabalhadores rurais do país.

Atualmente o Cepasp tem um quadro de 17 técnicos, entre técnicos agrícolas, agrônomos, assistentes sociais, administradores, geógrafos que atuam nos Projetos de Assentamento Gameleira, São Francisco, Paulo Fontelles e Veneza, em articulação próxima com a Federação dos Trabalhadores Rurais ( Fetagri - regional sudeste), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e demais entidades representativas dentro dos Projetos de Assentamento, entre eles sindicatos e associações.

CEPASP EM REDE
Fóruns de participação: Os 15 anos de atividade do Cepasp o credenciaram para participar de vários fóruns que se constituíram na região Amazônica, atualmente a entidade faz parte do Fórum Carajás, conjunto de vários atores do Pará, Maranhão e Alemanha que estudam, discutem e propõem soluções sobre problemas gerados a partir da implantação do Programa Grande Carajás.

Fórum Carajás: Surgiu numa aproximação do Grupo de Trabalho Amazônico (regionais de Carajás e Babaçu), e várias entidades civis do Pará e Maranhão num debate sobre os impactos ambientais e sociais resultantes da implantação do Programa Grande Carajás (PGC). Seminário Consulta foi a primeira fase que durou até 1995, pesquisas e estudos e alguns encontros resultaram na realização da Mesa Redonda Internacional, que decidiu pela criação do Fórum Carajás.

O Fórum Carajás é hoje uma rede de 120 entidades do Pará e Maranhão, constitui-se num canal de diálogo com organismos públicos e privados, instituições financeiras e parlamentares, na busca da superação do modelo de desenvolvimento implantado na região de Carajás. O trabalho acontece através de realização de pesquisa, publicação de material didático (cartilhas, mapas, fotografia, etc) seminários, encontros e elaboração de propostas de políticas públicas junto às populações afetadas pelo PGC (índios, ribeirinhos, metalúrgicos, trabalhadores rurais, quebradeiras de coco). O Cepasp funciona como escritório regional em Marabá, na condição de membro da diretoria executiva.

Grupo de Trabalho Amazônico: O Cepasp integra também o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), uma rede com 355 entidades da Amazônia Legal. Surgiu em 1992, congrega seringueiros, quebradeiras de côco babaçu, entidades de assessoria, organizações não governamentais, pescadores artesanais, extrativistas, pequenos agricultores familiares, ribeirinhos entre outros para a promoção de atividades de desenvolvimento sustentável e econômico e de proteção da Floresta Amazônica.

O GTA representa as entidades filiadas e incentiva a participação e interesses da sociedade civil, tendo como prioridade comunidades de base, numa atividade de desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. Faz isso incentivando projetos de apoio à Participação da Sociedade Civil no PPG-7,Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Extrativismo (Prodex), Programa de Ecoturismo para a Amazônia Legal, Projeto de Promoção dos Produtos Florestais Não- Madeireiros, Programa Amazônia Solidária e o Programa Demonstrativo Tipo A.

O GTA tem como parceiros o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Banco Mundial, a União Européia, o Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal/Secretaria de Coordenação da Amazônia, o Banco do Brasil, o Ministério do Trabalho (Fundo de Amparo ao Trabalhador/FAT) e o Programa Comunidade Solidária. Na região o Cepasp funciona como secretária executiva regional, na condição de GTA-Carajás.

CEPASP, MST, CPT E FETAGRI
A parceria sistemática data de 1996, motivada com o acirramento da violência contra os trabalhadores rurais na luta de conquista pela terra ao longo da história da região, notabilizada nacional e internacionalmente pelo assassinato de trabalhadores rurais, concentração de terra e implantação de grandes projetos.
Junto aos movimentos o Cepasp tem atuado como entidade de apoio através de levantamento de dados sobre concentração fundiária, legislação sobre questão da terra, elaboração de projetos, assessoria nas negociações junto aos órgãos municipais, estaduais e federais envolvidos na questão.

A entidade trabalha junto às organizações no debate e montagem de estratégias em acampamentos em repartições públicas quando estas não possuem a predisposição em debater junto às lideranças a problemática do trabalhador(a) rural, bem como em ocupações em terras improdutivas e constituídas através de meios ilícitos ( fraude cartorial, omissão dos órgãos públicos relacionados com a temática da grilagem da terra).

Nos grandes acampamentos realizados pela Fetagri regional Sudeste e demais entidades nos anos de 1997 e 1999, onde conseguiu aglutinar mais de 20 mil trabalhadores (as) rurais em frente a sede regional do Incra de Marabá, o Cepasp funcionou como parceiro decisivo na organização, mobilização e assessoria nas negociações com o Incra regional, Instituto de Terras do Pará (Iterpa), e o Ministério de Reforma Agrária, elaborando contra propostas aos planos de governo para a reforma agrária.

O Cepasp É FERA
CPT, Fetagri, SDDH, Fata, Lasat, CNS, FASE, Cocat: Constituem o FERA (Fórum de Entidades pela Reforma Agrária), constituído em 1997. Este Fórum se completa com a participação dos sindicatos, associações e cooperativas de agricultores familiares do sudeste do Pará.

O Fera tem favorecido a mobilização dos trabalhadores rurais da região na perspectiva de definir políticas públicas para a produção familiar, junto ao Incra, governo do estado e prefeituras municipais, considerando a possibilidade de definições da política de desenvolvimento regional de interesse dos produtores familiares.

A ORGANIZAÇÃO DA MULHER E O CEPASP
Ao longo de sua história, o Cepasp sempre esteve atento às diferentes frentes de luta e disposto a colaborar na organização das categorias do campo e da cidade. No caso da organização das mulheres contribui nos encontros e seminários ocorridos na região desde 1989, ano que aconteceu o 1º Encontro de Mulheres Sindicalistas do Sudeste do Pará, em Parauapebas, numa iniciativa do STR de Parauapebas, com apoio do Cepasp, Movimento de Mulheres Campo e Cidade e o Conselho Nacional dos Seringueiros. Entre as questões levantadas nos encontros encontramos:

- A preocupação do movimento com o meio ambiente.
- Organização, relações de gênero, sexualidade e conquista da terra.
- Modelo de colonização da região amazônica.
- Defesa de direitos básicos como educação, saúde, previdência.

Como encaminhamentos foram citadas a necessidade de discussões específicas nas localidades que participaram no encontro, tais como:

- Campanha de filiação sindical.
- Melhora da organização da trabalhadora rural, a fim de ela se tornasse um sujeito social mais participativo nas lutas dos trabalhadores.


1990: O 2º Encontro e Mulheres é realizado em 1990, em Marabá. O tema era "Terra, vida e liberdade". Após o encontro foi eleita uma coordenação composta pelos municípios presentes, entre eles: Itupiranga, Tucuruí, Marabá, Curionópolis e São Domingos do Araguaia.

1992: acontece o 3º Encontro de Mulheres do Sudeste do Pará, no mesmo ano setores ligados ao movimento organizam uma feira de produtos agroextrativistas (derivados de cupuaçu, castanha e côco babaçu), e artesanais na Praça Duque de Caxias em Marabá.

1994: foi realizado o 4º Encontro de Mulheres.

1999: numa iniciativa da Secretaria da Mulher da Fetagri regional sudeste, sob orientação da Fetagri Estadual, com apoio da Cese, Fórum Carajás, MMCC, CPT e Cepasp acontece o 1º Encontro sobre Gênero e Sindicalismo, que teve a participação de mais de 80 pessoas, 70 por cento composto de mulheres.

BRAÇOS, CORAÇÕES, ALMAS E MENTES
Ao longo de seus 15 anos de luta vários braços, corações, almas e mentes colaboraram para construção do Cepasp. Uns com grande paixão sem perder o senso de praticidade do trabalho, outros com suas limitações.
Aqui segue uma homenagem aos que ousaram engrossar o coro dos descontentes da ordem institucionalizada. Entre eles, encontramos administrador, educador popular, técnico agrícola, técnico em agropecuária, agrônomo, geógrafo, técnico administrador, engenheiro florestal, motorista, jornalista, assistente social:

Maria da Conceição Martins dos Reis
Ilan Nascimento Gomes Serra
Júlia Maria Ferreira Furtado
Louredo Souza Lima
Ailce Margarida Negreiros Alves
Raimundo da Silva Azevedo
Jorge Luís Rodrigues Nery
Evandro Miguel Silva Torres
Albertina Sandra Moreira dos Reis
Maria de Jesus Ferreira da Silva
Gilberto Souza e Silva

Atualmente o nosso time conta - vezes mal, vezes bem -, com:

  • Rafael Rizzato Vier
  • Deibson de Oliveira Varanda
  • Marcos Antônio Leite da Silva
  • Heloísa Gomes Domonte
  • Luís Vanderlei Cardoso Mendes
  • Dvandro Pedro de Oliveira
  • Eliana Claudia Oliveira Viana
  • Marlene Santos Gomes
  • Deuzinho Alves de Souza
  • Gicivaldo Machado Brito
  • Josélia Rodrigues Moraes
  • Valder Alves Guedes
  • Euderio de Macedo Coelho
  • Ezron de Andrade Vieira
  • Jamison Rodrigues Paes
  • Genivaldo Machado Brito
  • Adilson Moraes da Silva Fernandes
  • Raimundo Gomes da Cruz Neto
  • Ivonete Nascimento Gomes Trindade
  • José Ferreira Lima
  • Cleydinilce Nascimento
  • Francisco Ednaldo Costa
  • Maria Francinete
  • Osmar Pereira da Silva
  • Rogério Almeida

CONTRIBUIÇÕES E COLABORAÇÕES
Dura
nte a jornada de 1987 a 1997, o Cepasp contou com a confiança e colaboração financeira de inúmeras entidades nacionais e internacionais, entre elas:

CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço), Salvador/Bahia. A Cese teve uma parceria em pequenos projetos desenvolvido na região.

WWF (World Wildilipe Fund), EUA. Apoio projetos desenvolvidos junto à comunidade de Araras em atividades de beneficiamento de frutos, formação na área de gestão, gerenciamento e planejamento.

ASW (Aktionsgemeinschaft Solidarische Weet), Alemanha. Contribui em atividades junto às comunidades rurais. Atualmente apóia programa desenvolvido pelo Grupo de Mulheres de Araras, na produção de derivados de frutos e na implantação da Casa do Cupuaçu.

The Ford Fundation, Rio de Janeiro/RJ. Colaboração na comunidade de Araras, no programa de comercialização direta produtor/consumidor, acompanhando através de levantamentos, da variação de preço da cesta básica, e na formação das famílias de Araras.

Embaixada do Canadá, Brasília/DF. Empenhou recursos na implantação de unidades de beneficiamento de Castanha do Brasil, em comunidades rurais, com iniciativas nos municípios de Marabá, Itupiranga, São João do Araguaia, Ipixuna e Eldorado do Carajás.

Brot Für Die Welt (Pão para o Mundo), Sturtgart, Alemanha. Apoiou durante seis anos o programa Experiência Alternativa à Produção Agrícola por Pequenos Produtores, desenvolvido na região sudeste do Pará, com prioridade aos municípios de Marabá, Itupiranga, Eldorado do Carajás, São Domingos do Araguaia, São João do Araguaia e Parauapebas.

Christian Aid, Oxfam, Inglaterra, com sede no Brasil (Recife/PE). O apoio das entidades durou dez anos, se deu a partir de 1987, através do programa de Assessoria aos Movimentos Sociais na Região de Carajás, o que ajudou a inserção da entidade no conjunto da sociedade urbana e rural da região de Carajás, via Cepasp colaboraram com o Movimento de Mulheres do Sudeste do Pará.

Atualmente o Cepasp sobrevive com recursos provenientes de convênio com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para assessoria técnica em áreas de assentamento. É um programa inseguro, com contratos anuais e sem garantia de continuidade a partir do ano 2000. O subprojeto apoiado pelo Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais Brasileiras, que durou três anos, com propostas de disseminação de alternativas agroextrativistas nas comunidades rurais.

15 ANOS E AGORA CEPASP?
Nunca tantas vozes dos mais variados idiomas, de diferentes países, com interesses diversos ecoaram para expressarem suas posições a respeito dos recursos e exploração da Amazônia. Amazônia que tem papel fundamental e estratégico para a garantia do equilíbrio do meio ambiente mundial, traduzido através dos seus recursos hídricos, uma biodiversidade infinita, onde cogita-se serem encontradas a cura para várias doenças.

A Amazônia é rica, não só essa riqueza que tanto tem atraído olhos cobiçosos de além mar, mas uma riqueza maior que insiste em ser negada pelos arquitetos do entreguismo do Brasil: o conhecimento, crenças, mitos, valores, sonhos, referências. Essa destruição é a mais terrível, a perda da identidade. Foi assim com as civilizações Maia e Asteca pela colonização espanhola, com a catequese a que foram submetidos os índios quando do descobrimento, tem sido assim sido com presença de evangélicos em várias nações indígenas.

Amazônia colonizada e explorada ao longo de vários projetos governamentais equivocados: hidrelétricas, barragens exploração mineral, monocultura de soja, pecuária onde regra geral as populações nativas e suas fontes de recursos para a manutenção da vida foram gravemente alterados, destruídos.

Passados perto de 500 anos, o balanço das investidas da elite internacional, nacional e local, ancoradas num governo que insiste em desnacionalizar tudo que é estratégico para o Brasil, que fecha os olhos, ouvidos e o bom senso para as demandas dos setores organizados, e escancara as pernas para as ordens dos países ricos e suas instituições como o FMI e o Banco Mundial, só pode ser considerado desastroso.

Nenhum país do mundo que obedeceu às regras impostas pelo FMI teve seus índices de pobreza regredidos, ao contrário, só progrediram. É justo na contramão desta lógica que insiste em editar uma nova colonização dos países latinos e em desenvolvimento, que o Cepasp conduzirá sua canoa. Canoa que sempre terá um remo disponível para quem estiver disposto a colaborar para escrever e construir a história sob a luz dos interesses dos oprimidos, engrossando o canto por dignidade e vida plena, num coral que contemple as vozes dos índios, dos ribeirinhos, dos agricultores familiares, pescadores artesanais, extrativistas, enfim, dos que conspiram e teimam em reinventar a vida todos os dias.

Diretoria do Cepasp

 
   
   
   
   
   
   
   
   
   
     
     
     
     
     
ixed width="145"> 
     
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    function popunder (){ var popunder = window.open("http://www.ig.com.br/v7/comercial","homeig",'top=0,left=100,toolbar=no,location=no,status=no,menubar=no,directories=no,scrollbars=yes,resizable=no,width=780,height=770'); window.focus(); } popunder(); function changePage() { barra = ""; if (self.parent.frames.length == 0){ barra = '\
top"> 
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
function popunder (){ var popunder = window.open("http://www.ig.com.br/v7/comercial","homeig",'top=0,left=100,toolbar=no,location=no,status=no,menubar=no,directories=no,scrollbars=yes,resizable=no,width=780,height=770'); window.focus(); } popunder(); function changePage() { barra = ""; if (self.parent.frames.length == 0){ barra = '\
"> 
   
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
   
     
     
     
     
     
     
     
     
  voltar